.deseja o melhor, espera o pior.

The heart dies, a slow death,
shedding each hope like leaves...



... until one day there are none.
No hopes.
Nothing remains.

Há lugares especiais, memórias divididas, espaços únicos. Um lugar pra dois, que ocupamos e transformamos em qualquer coisa, menos em um “lugar qualquer”. Aprendi com você (que aprendeu com seu pai) que este é meu, por direito, já que gosto mais. Seja ele qual for. É o valor, contabilizado em sensações, que determina essa “propriedade”. Há o aconchego da memória, a colcha de retalhos que nos aquece em tempos em que o coração padece de frio, dor, solidão ou apatia. Há aqueles em quem nos sentimos em casa. Em sua presença, navego em serenidade, por um jardim de celosias. Há também aqueles sem quem um aniversário não é um aniversário. Em sua ausência, abstinência de corações de alcachofra e do doce sabor da alfarroba… e o cultivo de planos, nossos maleáveis planos de todas as pequenezas de uma vida feliz. Feliz dia de cada dia! Feliz não-aniversário!

Há lugares especiais, memórias divididas, espaços únicos. Um lugar pra dois, que ocupamos e transformamos em qualquer coisa, menos em um “lugar qualquer”. Aprendi com você (que aprendeu com seu pai) que este é meu, por direito, já que gosto mais. Seja ele qual for. É o valor, contabilizado em sensações, que determina essa “propriedade”. Há o aconchego da memória, a colcha de retalhos que nos aquece em tempos em que o coração padece de frio, dor, solidão ou apatia. Há aqueles em quem nos sentimos em casa. Em sua presença, navego em serenidade, por um jardim de celosias. Há também aqueles sem quem um aniversário não é um aniversário. Em sua ausência, abstinência de corações de alcachofra e do doce sabor da alfarroba… e o cultivo de planos, nossos maleáveis planos de todas as pequenezas de uma vida feliz. Feliz dia de cada dia! Feliz não-aniversário!

lailacastro:

[photo: maranhão 2009]
já sinto saudades. são raras as pessoas amáveis e deixá-las e partir é dar lugar à mitologia de um não acontecimento. são as histórias mais bonitas.

lailacastro:

[photo: maranhão 2009]

já sinto saudades. são raras as pessoas amáveis e deixá-las e partir é dar lugar à mitologia de um não acontecimento. são as histórias mais bonitas.


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lailacastro:

a vida é uma coisa, o amor é outra. é essa beleza, é esse perigo. a vida às vezes mata o amor. a vida e o amor tem uma convivência assassina. o amor puro é uma condição. não é para perceber. o amor não se percebe. é sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar, doer sem ficar magoado. amor é amor. a vida dura a vida inteira, só um mundo de amor pode durar a vida inteira. e valê-la também.

lailacastro:

a vida é uma coisa, o amor é outra. é essa beleza, é esse perigo. a vida às vezes mata o amor. a vida e o amor tem uma convivência assassina. o amor puro é uma condição. não é para perceber. o amor não se percebe. é sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar, doer sem ficar magoado. amor é amor. a vida dura a vida inteira, só um mundo de amor pode durar a vida inteira. e valê-la também.


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lailacastro:

mesmo nas condições mais novas de vida pelas minhas mudanças eu vingo em fazer me fazer sentir em casa pela assombrosa desarrumação que deixo nos lugares que passo a morar. é uma forma de levar comigo algo do meu quarto (ou até a idéia do que era o meu quarto, já que na realidade não tenho mais quarto). é a tranquila aceitação do quanto a busca de ordem deve a um mundo sempre indomável.essa chuva lá fora nem é melancólica, é quase uma lassidão tropical. sou uma afortunada madrugadora, no volume máximo canta agora I’m from barcelona, e eu, dobrada na cama sobre o notebook, reparo sem nenhum propósito, que enquanto escrevo esse post sinto uma alegria boba e boa. I’m from barcelona não é inocentado da culpa, mas também é preciso culpar as histórias contadas e as horas compartilhadas ontem à noite. as horas por dormir e nada me preocupa. me sinto ridiculamente feliz nessa manhã, a clara noção que algo de indizível me assoberba. sincretismo.uma palavra define o que foi 2009 pra mim: mudança. aprendi a ter uma vida mais móbil, uma abertura mais total à alteridade, mesmo experimentando as adaptações e transformações possíveis, e com medo das mudanças irrazoáveis e os ajustamentos biograficamente incomportáveis e aquelas rupturas desestruturantes. enfim, nem acredito que ninguém seja imutável, mas as coisas mais legítimas não se traficam com sonhos, nem se revelam em palavras e nem o tempo e tristezas conseguem tocar.

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mesmo nas condições mais novas de vida pelas minhas mudanças eu vingo em fazer me fazer sentir em casa pela assombrosa desarrumação que deixo nos lugares que passo a morar. é uma forma de levar comigo algo do meu quarto (ou até a idéia do que era o meu quarto, já que na realidade não tenho mais quarto). é a tranquila aceitação do quanto a busca de ordem deve a um mundo sempre indomável.

essa chuva lá fora nem é melancólica, é quase uma lassidão tropical. sou uma afortunada madrugadora, no volume máximo canta agora I’m from barcelona, e eu, dobrada na cama sobre o notebook, reparo sem nenhum propósito, que enquanto escrevo esse post sinto uma alegria boba e boa. I’m from barcelona não é inocentado da culpa, mas também é preciso culpar as histórias contadas e as horas compartilhadas ontem à noite. as horas por dormir e nada me preocupa. me sinto ridiculamente feliz nessa manhã, a clara noção que algo de indizível me assoberba. sincretismo.

uma palavra define o que foi 2009 pra mim: mudança. aprendi a ter uma vida mais móbil, uma abertura mais total à alteridade, mesmo experimentando as adaptações e transformações possíveis, e com medo das mudanças irrazoáveis e os ajustamentos biograficamente incomportáveis e aquelas rupturas desestruturantes. enfim, nem acredito que ninguém seja imutável, mas as coisas mais legítimas não se traficam com sonhos, nem se revelam em palavras e nem o tempo e tristezas conseguem tocar.


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Raramente penso em ti.
Teu destino pouco me interessa.
Mas de minha alma ainda não se apagou
o brevíssimo encontro que tivemos.
Evito, de propósito, tua casinha vermelha,
tua casinha vermelha junto ao rio lamacento;
mas bem sei com que amargura
perturbo a tua ensolarada quietude.
Embora não te tenhas inclinado sobre mim
suplicando-me que te amasse,
embora não tenhas imortalizado
o meu desejo em versos dourados,
secretamente lanço encantamentos para o futuro,
sempre que as noites são de um azul profundo,
e tenho a premonição de um segundo encontro,
um inevitável segundo encontro contigo.

A.A.

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